
Tenho certeza que este filme tem a capacidade de abrir o coração de seus espectadores para que estes se voltem à pobre África, o continente dos esquecidos.
Baseado em trágicos fatos reais, acontecidos em Ruanda em 1994, Hotel Ruanda consegue despertar sentimentos agudos, tais como revolta, desespero, agonia, entre outros menos óbvios. Há uma mensagem política bem direta, que funcionaria até para os dias atuais, contra os países ricos. Isso se, claro, estes se importassem! De qualquer forma é um filme de alto valor: o documento está criado, e qualquer um pode assistí-lo.
Um filme do ponto de vista narrativo bastante convencional, mas convincente como relato dramático de um herói.
Ao mesmo tempo, porém, contribui para seja possível entender e disseminar o que foi esse genocídio que assolou o país africano e o porquê do Ocidente ter praticamente ignorado os fatos: não havia nenhum interesse comercial na região como há o petróleo por trás da invasão do Iraque. No entanto, essa história pode estar se repetindo novamente nos conflitos em Darfur (no Sudão) ou qualquer lugar da África, onde a vida não vale nada para os “mandatários” do primeiro mundo. Ou mesmo no Iraque, onde a vida de milhares de civis muçulmanos está sendo alvejada por tiros e bombas.
Em Ruanda, há uma divisão entre o povo (embora sejam todos fisicamente muito parecidos, como destaca o jornalista vivido por Joaquin Phoenix em certa cena): os Hutus e os Tutsis. Os Hutus são a maioria, e quebram um acordo de paz para tentar "livrar o país" dos Tutsis, a quem chamam de "baratas". O ódio é total, e um homem, Paul Rusesabagina, gerente de um importante hotel, está no meio disso tudo, pois ele é Hutu e sua esposa, Tutsi. Ele utilizará o hotel para proteger órfãos e outras pessoas (centenas delas) ao mesmo tempo em que vê que a situação ao seu redor está se tornando cada mais mais incontrolável. Isso tudo aconteceu na vida real.
Sob o domínio dos hútus, os tútsis passaram a ser apontados como pérfidos e parasitas num país superpovoado. Em 1973, com o golpe do major Juvénal Habyarimana, a autonomia de administração hútu consolidou-se e gerou bastante desconforto à população tútsi. Ficou instituído o confisco de bens, o deslocamento da população, a fim de isolar o inimigo, além de ter sido aprovada uma lei de proibição de casamentos mistos entre as duas etnias.
Neste cenário das maiores atrocidades da história da humanidade, um homem promete proteger a família que ama, acabando por encontrar a coragem para salvar mais de um milhão de refugiados. Vale uma reflexão de que em determinadas situações, para proteger nossas vidas e das de quem amamos, fazemos de tudo!
Tayná Macedo
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