Jovens empreendedoroes passam por crise profissional antes do tempo
Bem-sucedidos, talentosos e jovens - este é o perfil de muitos profissionais da área de tecnologia que buscam independência, mas às vezes acabam enfrentando a conhecida crise da "meia - idade" antes do tempo.
Uma empresa dentro de outra, rebelde sem causa ou mini-CEO (Chief Executive Officer - mais alto cargo dentro de uma companhia). Essas são algumas das expressões que o pessoal da empresa de tecnologia Alterbrain usou nos primeiros meses de atuação da empresa no Brasil, no fim de 2005, para qualificar Marcelo Tripoli, o diretor de e-marketing. Na época, as reuniões de diretoria eram marcadas por conflitos criados pelo comportamento de Tripoli. Com personalidade forte, falava como se sua palavra fosse definitiva. Também era crítico demais em relação aos rumos da Alterbrain. 'Tinha a sensação de que a companhia era minha', diz ele.
Aos 23 anos, Tripoli é um dos jovens brasileiros que, na explosão de empresas de alta tecnologia e de Internet, alcançaram sucesso meteórico à frente de seus próprios negócios. Quando chegaram ao topo, passaram a empresa adiante. Alguns ganharam dinheiro com a negociação. Outros transformaram-se em sócios minoritários e ficaram com a promessa de faturar alto no caso de as novas organizações emplacarem.
Nas duas situações, muitos permaneceram na companhia, porém não mais na condição de patrão. Tornaram-se executivos. Uma mudança que, para Tripoli, foi traumática. Exigiu dele desprendimento e maturidade para enfrentar um recomeço tão prematuro quanto haviam sido suas primeiras investidas profissionais. 'Só não entrei na crise da meia-idade antes do tempo porque não enriqueci.'
Em 1995, Tripoli comandava sua empresa, a MTM Marketing Digital, com uma equipe de outros sete meninos. Trabalhavam em um dos três quartos do apartamento da mãe, na capital paulista. Tomava decisões de gente grande.
Em sua empresa, Tripoli entregou-se com dedicação à prestação do serviço de busca por soluções em informática e Internet. Enquanto os amigos divertiam-se, ele gerenciava os recursos humanos e o fluxo de caixa, enfrentava os entraves da burocracia jurídico-administrativa e batia de porta em porta para vender o seu peixe. O empenho foi recompensado. Em pouco tempo Tripoli colecionou clientes e dinheiro suficientes para alugar uma pequena sala comercial. O progresso era evidente. Logo a empresa instalou-se em um escritório de 100 metros quadrados na Avenida Paulista. A carteira de clientes da MTM cresceu em tamanho e importância.
O cenário mudou no fim de 1999. O jovem empresário passou a sentir a pressão de um mercado superavaliado naquele momento. 'Era hora de buscar mais receita, senão a empresa ficaria estagnada', lembra. Deu início a uma busca por investidores e encontrou um comprador. Em maio de 2000, vendeu a MTM por algo em torno de R$ 1 milhão à norte-americana Alterbrain. 'Sou um milionário virtual', diz, ao explicar que a cifra foi transformada em ações da Alterbrain no Brasil.
Acostumado a controlar todas as operações da sua empresa, Tripoli descobriu uma vida diferente depois que vendeu a MTM. A sociedade, o cargo de diretor e a maturidade com os quais conduziu a trajetória da própria companhia não foram suficientes para evitar a crise nos primeiros meses como funcionário. Além de desconhecer o cotidiano de um executivo, ele não conseguia abandonar os hábitos de quem manda em tudo. O empreendedorismo que o havia levado ao destaque começava a derrubá-lo.
Foi aí que Tripoli se deu conta de que tinha uma longa jornada profissional pela frente. Mudou. Aceitou a condição de aprendiz e começou uma nova carreira. Devorou textos sobre administração e passou a observar o trabalho dos demais diretores e do verdadeiro CEO da Alterbrain no Brasil, Marcos Guaraná. Em janeiro deste ano, teve o primeiro sinal de melhora. Recebeu elogios de Guaraná. 'Uma das principais características do empreendedor é estar sempre disposto a aprender coisas novas', diz Tripoli.
Trata-se de um duro aprendizado. Impõe frustrações, quebras de expectativa e dificuldades de adequação tão grandes que podem conduzir ao divã. Foi o que quase aconteceu com Miguel Perrotti. Depois de dividir o comando da Perrotti Informática com o pai, Salvador, desde os 23 anos, ele viu-se diante da novidade de trocar o papel de empregador pelo o de empregado. Em 1999, aos 34, passou a maior fatia do negócio para a Structered Intelligence. Embolsou um dinheiro e permaneceu no grupo, como diretor para soluções em Internet. 'Uma mudança drástica.'
Para evitar a terapia, Perrotti decidiu extravasar seus sentimentos de outra maneira. Escreveu o livro Cadê a Empresa que Estava Aqui. 'O efeito de recuperação foi o mesmo, só que ao invés de gastar posso até ganhar um dinheiro', brinca e expõe a veia de comerciante. Um dos capítulos da publicação é ilustrado com uma pessoa aprisionada num copo transparente. 'Era exatamente o que eu sentia', diz Perrotti. 'Enxergava tudo, mas o espaço de ação era limitado.' Hoje, não é mais executivo da Structered Intelligence, empresa da qual mantém ações (em torno de 10%). Perrotti voltou às origens: comanda quatro companhias suas.
Gustavo Viberti, de 34 anos, e Fábio de Oliveira, com 35, também experimentaram a sensação de, ainda jovens, trabalhar como funcionários da empresa que antes era sua. Eles criaram, em 1995, o canal de busca na Internet "Cadê" e, de lá para cá, acumularam dinheiro. Há dois anos, venderam o site para a StarMedia por um valor estimado em cerca de US$ 6 milhões. Como executivos, permaneceram no comando do Cadê por alguns meses. 'Isso não chegou a ser um problema, porque antes do site o Gustavo e eu havíamos trabalhado para outros', afirma Oliveira. Mas logo desistiram da condição de funcionários no Cadê. 'Era hora de buscar novos desafios', diz Oliveira. Ele e Viberti agora são sócios de um fundo de investimento, acionistas de uma empresa de tecnologia e mantêm uma instituição de microcréditos para pequenos empreendedores.
Nem todos conseguem evitar as dificuldades emocionais que vêm junto com o sucesso na juventude, principalmente quando há fortuna envolvida. No Brasil, esses casos são mais comuns no mercado financeiro. Segundo um desses jovens, que pediu para não ser identificado, uma trajetória assim implica abdicar da realidade e mergulhar numa frenética corrida contra o relógio, tanto o do tempo quanto o biológico. 'Para acompanhar todos os mercados no mundo, passava noites sem dormir e só conseguia descansar aos sábados', diz.
Nos doze anos em que comandou operações de alto risco em um grande banco brasileiro, acumulou uma fortuna superior a US$ 3 milhões. Acha, entretanto, que perdeu mais do que ganhou. 'Meu conceito de família e meus valores foram destruídos.' Hoje, aos 34 anos e há três fora do mercado financeiro, diz estar em busca de qualidade de vida. Ele fez experiências em outras áreas profissionais, mas não gostou. Agora, sem pressa, procura algo que realmente lhe agrade. Ao mesmo tempo, retoma a vida social. O dinheiro lhe garante tranqüilidade para resgatar o que deixou para trás. Os milhões estão bem aplicados e, até aqui, multiplicando-se.
Gazeta Mercantil.
A questão é que nós, futuros administradores, jamais devemos cair na comodidade, nem nos dar por vencido por causa de alguns deslizes, ou nos satisfazer pelo que já se tem. Desvendar os enigmas de novos horizontes é sempre uma ótima pedida, uma vez que com todos os obstáculos e conquistas pelo caminho, aprimoramos nossas idéias e adquirimos conhecimentos múltiplos. É sempre um meio de crescer, de andar pra frente. Por mais que já saibamos bastante, novas idéias são sempre bem-vindas. Seja pelo lado profissional ou pessoal, é preciso arriscar sem medo!
Bom dia a todos!
Tayná Macedo
2 comentários:
É isso aí!
Espero que gostem!
tayná. =*
achei o titulo bem elaborado
gostei da materia,não é a toa
que está como destaque...
tudo que se espera de um grupo
só com meninas(inteligentes).
bjs minha linda
bife(elinaldo)
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